Boletim do tradutor

Blog de tradução, revisão, copidesque e outras coisas impossíveis

A tradução e a teoria III

Posted on | April 5, 2010 | 1 Comment

Da superação do empirismo às teorias modernas


Francisco César Manhães Monteiro

Só no final do século XVIII se começa a superar o empirismo dominante a partir da publicação do livro de Alexander Fraser Tytler (Lord Woodhauselsee), Essay on the Principles of Translation, impresso em Londres em 1792. Tytler apresenta aí três princípios fundamentais pelos segundo os quais uma tradução deve ser realizada e avaliada. São os seguintes:

1. Uma tradução deve dar uma completa transcrição dos conceitos da obra original.

2. O estilo e o modo da escrita devem ter a mesma feição do original.

3. Uma tradução deve ter a mesma fluência da composição original.[1]

Tytler aceita acréscimos e repetições, mas não tolera alterações, mesmo aquelas que Dryden considerava judiciosas, e rejeita radicalmente qualquer modernização do texto traduzido. Rosemary Arrojo, professora da PUC de São Paulo, escreve que o Pierre Menard do conto de Borges “parece (…) uma caricatura exagerada do tradutor imaginado por Tytler, refletido nos três princípios básicos”.[2] Leia mais

O que é uma lauda?

Posted on | January 18, 2010 | 1 Comment

Originalmente, a lauda era o papel impresso padronizado com espaço delimitado para a inserção de texto usado por jornais e editoras, para propiciar os processos de edição, paginação, diagramação e contagem.

Hoje, com a utilização universal de computadores, a lauda designa uma página padrão com certo número de linhas e caracteres por linha. Infelizmente, não há um acordo sobre o que seria uma lauda padrão universal. De fato, há um número potencialmente infinito de tipos de lauda. As mais utilizadas são as de 1000 caracteres sem espaços brancos por página (critério adotado pela Junta Comercial do Estado de São Paulo), a lauda de 1250 com espaços (ambas correspondem a mais ou menos 200 palavras em português por lauda), as de 1400 (adotada pelo Sindicato de Jornalistas de São Paulo), 1500, 1800 e, finalmente, a lauda de 2100 caracteres com espaços, adotada por muitas editoras. Leia mais

A história da tradução no Ocidente II

Posted on | January 11, 2010 | No Comments

A tradução introduz a Idade Moderna

Durante a Idade Média europeia e com a adoção da Vulgata como texto de doutrina, as traduções dos textos religiosos, livres da preocupação doutrinária dos primeiros tempos, tenderão cada vez mais para o literalismo estrito já que passaram a visar aos aspectos teológicos e mesmo jurídicos da religião.

Nos séculos oitavo e nono, as traduções dos textos clássicos gregos estavam concentradas no mundo árabe, produzidas por estudiosos sírios estabelecidos em Bagdá, no que foi a primeira escola de tradução. Ali traduziram Aristóteles, Platão, Galeno, Hipócrates e outros autores do período clássico ao árabe. Leia mais

História da tradução no Ocidente I

Posted on | January 8, 2010 | No Comments

A tradução reverente

O primeiro tradutor do Ocidente cujo nome se registra foi Lívio Andrônico, que por volta de 240 a.C. traduziu a Odisseia em versos latinos. Névio, Ênio, e, sobretudo, Cícero e Catulo foram também tradutores frequentes de textos gregos ao latim. De Cícero vem a primeira formulação do preceito de não traduzir verbum pro verbo, palavra por palavra, estabelecida em seu Libellus de optimo genere oratorum, que Horácio incluiria em sua Ars poetica. Mas será com a Bíblia e suas traduções que a discussão sobre as bases da atividade tradutória ganhará relevância. Leia mais

Nova coleção de tradução

Posted on | December 30, 2009 | No Comments

Los aromas esenciales (Os aromas essenciais), de Guita Jr., é o primeiro título da coleção que a editora espanhola Baile del Sol dedicará à África.
Reúne os livros Da vontade e de partir (2000) e Rescaldo (2001), publicados em Moçambique, escritos já como “projetos” de livro que, de uma maneira ou outra, e na opinião muito pessoal de seu autor, se complementam.
Diz Guita Jr.: “Nesta edição em castelhano, uma ou outra estrofe sofreu alguma modificação, porque como alguém já tinha dito, o poema é algo eternamente inacabado”.
O próximo título da coleção será La dolorosa Raíz de Micondó (A dolorosa Raiz de Micondó) de Conceição Lima.

A tradução espanhola é de Silvia Capón.

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